PRIMEIROS AFETOS

Um afeto companheiro de anos e que, ainda, sente-se estrangeiro em sua morada. Daqueles que estão entre percepções e ausências. Daqueles afetos que se transformam, pouco a pouco, porque estão vivos. Mudam de nome, no mesmo endereço. Ou mudam de endereço, sem perder o nome. Daqueles que não dão sossego. São inadequados, nos tomam por inteiro. São o próprio vazio para serem habitados. Daqueles afetos que precisam ser desbravados, hoje, e depois, e depois. Falo de um afeto por uma dança. Chamo “uma dança”, mas sei que, nela, coabitam muitas perspectivas. Olho por uma fresta. Ao olhar, ainda que seja uma fresta, sinto que cabe um “mundo inteiro”, e preciso colocar uma lupa na parte que interessa revelar. A dança que pede para ser vista por mim, e em mim, constrói sentido quando borra, sem pudor, a relação arte -vida. Quando é o próprio estar no mundo, num misto de pertencimento e inadequação. Cutuca memórias, expõe fracassos, conta sobre si, deliberadamente, desnudando-se no mundo e para o mundo. É possível que descubra outros no meio do caminho, por ora, o nome que encontro (e me encontra) é “Dança depoimento”.

Vanessa Macedo

foto eu outro - cia fragmento de danca - credito leo lin (3)
EU OUTRO – Foto de Leo Lin

 

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